Tuesday, October 30, 2007

A Escada de Jacob



No Elevador de Jacó
A subida da escada de Jacó não é uma ativida de mão única. Essa escalada é rica, é de interação vital para se completar a obra. Ela é o fluir de todos os recursos espirituais necessários para que os "mistérios das alturas" sejam desvendados em nossa insustentável fragilidade humana. Como relatado no sonho de Jacó, os anjos subiam e desciam uma escada para o contato com a morada de Deus. A incomunicabilidade humana parte do não-entendimento da ação, do que se está fazendo. Os anjos em "descensus" vêm do topo, os anjos em "ascensus" buscam as alturas. Eles sobem e descem numa acertada comunicação que se revela no pleno desenvolvimento da consciência humana. Hoje, retorno do topo. Estou em descida (descensus) e faço uma parada no quarto degrau, já que nos três primeiros estamos sempre visitando (a câmara de reflexão, a visão do prumo e a câmara fúnebre de Hiran). O Mestre Secreto vai ao encontro da consciência do homem. Nesse estágio do Rito Escocês Antigo e Aceito, no qual toda a decoração do templo de Jerusalém é relembrada, a Menorá (o candelabro de sete braços) tem lugar de destaque como luminária do templo - a lâmpada eterna. Junto à mesa com a Arca da Aliança, as Tábuas da Lei, o Vaso de Maná e a Vara de Arão, está a Menorá imponente, como a vela eterna, a "ner tamid" hebraica, que é mantida acesa mesmo quando a sinagoga está vazia ou fechada. Essa luz é modelada no candelabro do Templo e sempre mantém uma chama de seus sete braços milagrosamente acesa enquanto os demais estão sendo limpos, apesar de terem, todos, a mesma quantidade de óleo. A sinagoga é um Templo, e dentro dele a chama dessa lâmpada representa a idéia de que Deus está presente no universo. No mundo cristão, essa idéia é representada pela chama ardente que é mantida acesa atrás do altar, no Sacrário da igreja católica (lugar onde são guardadas as hóstias consagradas para o sacramento da Eucaristia). Em nossa câmara do 4º grau, os sete braços do candelabro estão todos acesos, simbolizando a luz espiritual, a semente da vida e da salvação. "Demos-lhe tantos braços quanto são os planetas", disse Flavius Josepho, referindo-se ao Sol, à Lua e aos planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
"A imitação terrestre da esfera celeste arquetípica", nas palavras de Filon. O próprio Clemente da Alexandria afirma que o candelabro de ouro com sete braços significa "os movimentos dos sete astros luminosos que realizam seus percursos no céu. (...) Relaciona-se com a cruz de Cristo não apenas por causa de sua forma, mas porque o candelabro relembra a cruz-fonte de luz". Ele evoca também os sete arcanjos superiores.Reza a lenda que o candelabro de ouro com sete braços cheios de óleo de oliva era mantido permanentemente aceso no Templo de Jerusalém. Ele simbolizava a sabedoria divina. A Menorá original, feita no tempo em que os israelitas perambulavam pelo deserto, foi fundida em ouro por Moisés e tomou forma por si mesma. Desde os tempos do Primeiro Templo, o candelabro tem sido um dos principais símbolos judaicos e foi, até pouco tempo, o emblema do Estado de Israel (antes de ser adotada a estrela de Davi).Uma leitura de Êxodo (25:31, 33, 37, 40) e de Zacarias (4:1, 14) é sempre útil para um entendimento teológico, místico e espiritual de sua construção.Vendo uma certa analogia entre a Arca da Aliança e o Candelabro, afirma Magister: "(...) por essa razão, a Arca há de ser iluminada pelo candelabro de sete luzes, que são ao mesmo tempo os sete Elohim ou Criadores (manifestados nos sete raios, nas sete Forças Planetárias e nos sete Anjos que se sentam diante do Trono de Deus), as sete virtudes, as sete Artes e os sete dons do Espírito Santo: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Juízo, Fortaleza, Ciência e Temor a Deus".Essas são as sete luzes filosóficas que devem iluminar e contemplar, no Mestre Secreto, a Fé, a Esperança e o Amor, cujo conhecimento prático foi vivenciado nos três primeiros degraus. Os sete fogos devem ser acesos e brilhar no Santuário de nossa Consciência.
Ir .·. Valfredo Melo e SouzaAcademia Maçônica de Letras do DF


No Elevador de Jacó

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