Tuesday, November 13, 2007

Em Macau nunca houve lugar para radicais

Carlos da Maia. Talvez o governador que governou Macau em tempos mais difíceis

Oficial da Armada, nascido em Olhão, em 16-3-1878, e assassinado em Lisboa, na noite de 19-10-1921.
Era filho de um oficial de marinha pelo que cedo (segundo alguns testemunhos orais, com apenas 14 meses) acompanhou os pais para Lisboa.
Aos doze anos, as notícias do Ultimato Inglês despertaram-no para os ideias republicanos.
Alistou-se aos 19 anos como aspirante na Armada (em 2-12-1897) e em 1900 foi promovido a Guarda-Marinha, sendo colocado na Divisão Naval do Atlântico Sul (navega entre Angola, Cabo Verde e S. Tomé).
É promovido a 2º Tenente em 1903, sendo colocado na Divisão Naval de Macau até regressar ao Reino em 1905.
Seguidamente segue para Angola, regressa a Lisboa e é, em Fevereiro de 1907, instrutor da Escola Prática de Artilharia Naval (D. Fernando II), tira a especialização de «Oficial Torpedeiro», volta a Macau e novamente regressa a Lisboa em Agosto de 1909.
Desde muito novo participa em todas as conspirações contra o regime monárquico com Machado Santos e Almirante Reis, entre outros.
Foi encarregue com grande sucesso pelo Almirante Reis de atrair para a causa revolucionária muitos oficiais de forma a que fosse possível o bom sucesso da implantação da República e na madrugada de 4-10-1910 toma parte activa na revolta republicana.
Acompanhado pelos civis que o aguardavam no Grémio Republicano de Alcântara, intima o 1º Comandante do Corpo do Quartel de Marinheiros, Almirante Pereira Viana, a render-se. Este resistiu, fazendo fogo com o seu revólver, de que resultou ficarem feridos três assaltantes. Também ele (Almirante Pereira Viana) acabou por cair ferido.
Tomado o Quartel de Marinheiros, José Carlos da Maia embarca, às 10h da noite, num vapor apreendido pelo S. Rafael, e assalta o navio D. Carlos. Os oficiais deste navio resistiram, comandados pelo Capitão de Mar-e-Guerra Álvaro Ferreira, tendo ficado feridos quatro oficiais. No final, José Carlos da Maia apoderou-se do navio e entrega o comando ao 2º Tenente Silva Araújo.
Após as operações militares, Carlos da Maia corre a abraçar sua mãe a quem diz: - minha mãe, pode beijar-me que não matei ninguém! (Marreiros, Glória Maria - Quem foi quem?: 200 Algarvios do Sec. XX - 1ªed. Lisboa: Colibri, 2000, p.301) .
Proclamada a República, José Carlos da Maia foi promovido a Capitão-Tenente, por distinção, e é eleito deputado às Constituintes de 1911.
Isso não o impede de em 1912 marchar ao lado do povo para Belém em protesto de medidas repressivas do governo.
De 1914 a 1916 foi Governador de Macau deixando uma imagem de extrema competência, patriotismo e seriedade (no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, logo à entrada existe um memorial dos seus antigos camaradas de armas, em sua memória como Governador de Macau). Seria difícil ser um bom Governador naquele momento em que decorria a I Guerra Mundial mas o rigor e a dinâmica da sua governação deixaram-lhe a fama de ter sido o melhor governador de Macau de sempre. Construiu três escolas e uma leprosaria, organizou um corpo de voluntários, a corporação de bombeiros, melhorou as comunicações rádio-telefónicas e rodoviárias entre as ilhas e ainda teve tempo para ajudar os republicanos chineses. Quando saiu recebeu uma mensagem gravada em púrpura e decorada a prata de agradecimento dos mais altas individualidades de Macau. Curiosamente esta relíquia foi roubada à família, mal esta regressou a Lisboa, por volta de 1917, e só na década de 1970, foi recuperada pelo seu filho - Francisco Manuel Carlos da Maia - num antiquário.
Carlos da Maia

"Ao grande português, oficial da Armada e ex-governador de Macau, José Carlos da Maia, respeitosa homenagem do Corpo de Voluntários de Macau ao seu fundador e dedicado amigo"
Em 9 de Março de 1918 foi nomeado ministro da marinha, durante a breve ditadura de Sidónio Pais. Nessa época já Carlos da Maia se encontrava amargurado pela corrupção do regime republicano, pelo qual ele fora um dos que mais lutaram. Acreditou em Sidónio Pais mas este aproximou-se demasiado de monárquicos conspiradores, o que levou Carlos da Maia a pedir a sua demissão ao fim de apenas três meses e meio.
No entanto, nesse curto período ordena a criação dum Sanatório para sargentos e marinheiros, a Escola de Recrutas da Armada no Alfeite (a actual Escola Naval), a Junta Autónoma do Novo Arsenal da Margem Sul do Tejo, preconizando ainda a construção de bairros operários para o pessoal fabril do Arsenal, a construção de escolas, cantinas, cozinhas económicas e balneários, etc.
Posteriormente ocupou o cargo de Capitão de Porto de Portimão e, finalmente, em 1919, voltou ainda a ser nomeado Ministro das Colónias por José Relvas, novamente por apenas três meses. Neste curto período é curioso um episódio que revela a tolerância e seriedade de Carlos da Maia: após ter sido debelado um golpe monárquico, existe uma tentativa de afastamento de muitos monárquicos de lugares públicos. No entanto, Carlos da Maia recusa afastar um dos seus colaboradores apenas por ele ser monárquico.
Carlos da Maia nunca mais exerceu cargos políticos e parece mesmo ter-se desinteressado por esta actividade, no entanto, a memória da sua figura era ainda suficientemente importante para que, na trágica revolução de 19 de Outubro de 1921 tivesse sido assassinado pela tristemente conhecida camioneta-fantasma.
Nesse dia, um grupo de civis libertou José Júlio da Costa, o assassino de Sidónio Pais (morto três anos antes) e, noite cerrada, alguns deles, juntamente com marinheiros de baixa patente liderados por Abel Olímpio (alcunhado o "Dente de Ouro"), acotovelados numa camioneta, percorreram as ruas de Lisboa, arrancando às suas famílias o Almirante Machado Santos, o Capitão de Fragata Carlos da Maia, Carlos César Freitas da Silva e o Coronel Botelho de Vasconcelos.
As lágrimas da mulher de Carlos da Maia, Berta Maria, e a imagem do seu filho de 6 meses, quase comoveram os marinheiros, mas Abel Olímpio gritou que por culpa dele tinha sido desterrado para África e por isso sua mãe tinha morrido de desgosto. Isto, que mais tarde se provou ser mentira, convenceu os marinheiros a trazerem Carlos da Maia na sua camioneta-fantasma.
Diziam que os iam levar presos ao Arsenal da Marinha.
A verdade é que todos foram assassinados sem hipótese de defesa, ou à entrada do Arsenal, ou ainda antes.
Após prolongadas investigações, os autores destes crimes foram duramente punidos em julgamento iniciado em 23-11-1922, tendo-se chegado à conclusão que foi apenas um desvario de um grupo tresloucado e alcoolizado que, a coberto da revolução, cometeu os assassinatos.
José Carlos da Maia, pela sua vida idealista, a sua honestidade e humanidade permanente e, talvez também, pela sua morte trágica, foi alcunhado por alguns como o marinheiro romântico.



Eis aqui uma fotografia de que possuo o diapositivo. É a do governador, Carlos da Maia.


Monsenho Manuel Teixeira, diz que foi o melhor governador de Macau ( a seguir a Rodrigo José Rodrigues, por quem ele tinha admiração especial (vá-se lá saber porquê, já que ambos navegavam em antípodas ideológicos).


Carlos da Maia, para além de Maçon era carbonário. Rodrigo José Rodrigues, era apenas Maçon.


Mas o que era (ou que é) a Carbonária?


O historiador, Joel Serrão, responde:-


Carbonária


Como em quase toda a parte, também em Portugal a Carbonária foi muitas vezes uma associação paralela à Maçonaria (embora nem todos os maçons fossem carbonários). "Sociedade secreta essencialmente política", adversa do clericalismo e das congregações religiosas, tendo por objectivo as conquistas da liberdade e a perfectabilidade humana, impunha aos seus filiados "possuirem ocultamente uma arma com os competentes cartuchos". Contribuía directa e indirectamente para a educação popular e assistência aos desvalidos. "Tinha uma hierarquia própria, em certos aspectos semelhante à maçonaria, tratando os filiados por "primos". Os centros de reunião e aglomerações de associados chamavam-se, por ordem crescente de importância, "choças", "barracas" e "vendas". A Carbonária Portuguesa, à qual pertenceram pessoas da mais elevada categoria social, parece ter sido estabelecida em 1822 (ou 1823) "por oficiais italianos que procuravam, por meio de sociedades secretas, revolucionar toda a Europa Meridional". Até 1864 a sua intervenção fez-se sentir em muitos momentos críticos da vida nacional, pois todos os partidários políticos possuíam a sua carbonária. Depois de longo marasmo, desaparecem completamente. A indignação nacional suscitada pelo afrontoso ultimato da Inglaterra (1890) e as desastrosas consequências da revolta de 31 de Janeiro de 1891, com o seu cortejo de prisões, deportações e perseguições de toda a espécie, arrastaram a mocidade académica para as sociedades secretas. Mas foi em 1896 que surgiu a última Carbonária portuguesa, sendo completamente diferente das anteriores : diferente organização, ritual e até processos de combater. Foi seu fundador o grão-mestre Artur Duarte Luz de Almeida. A sua influência exerceu-se de maneira intensiva em quase todos os acontecimentos de carácter político e social ocorridos no País, nomeadamente naqueles que tinham em vista defender as liberdades públicas ameaçadas e combater o congreganismo e os abusos do clero. Tendo participado grandemente nos preparativos do movimento revolucionário de 28 de Janeiro de 1908, que abortou, a sua acção tornou-se depois decisiva para a queda da Mornaquia, mais acentuadamente a partir de 14 de Junho de 1910, quando, a propósito de apressar a revolução, em perigo pelo número crescente de civis presos e militares transferidos, a Maçonaria nomeou uma comissão de resistência encarregada de coadjuvar a implantação da República por uma colaboração mais activa com a Carbonária. A fragmentação do Partido Republicano, sobrevinda ao advento do novo regime político nacional, tornou inevitável a extinção da Carbonária portuguesa, tendo depois, até 1926, resultado infrutíferas todas as tentativas feitas para o seu ressurgimento.
( Dicionário de História de Portugal, 4 volumes, SERRÃO, Joel (ed.lit.), 1ªedição, Lisboa, Iniciativas Editoriais, volume I, 1963-1971, pp.481-2 )
nária?



Monday, November 12, 2007

Uma fotografia de Macau

Esta foto foi publicada num jornal de Macau. A data inscrita parece ser 1908. Tenho o diapositivo original e sei que foi publicada num jornal de Macau, aí pelos anos 20, ou 30 do século passado.
De quem será a assinatura?. Se alguém souber que me diga. Obrigado.

Um Governador singular

Artur Tamagnini Barbosa, com Camilo Pessanha.


1926 -Situação Geral de Macau:
Macau tem cerca de 160 mil almas, a maioria chinesa, o mesmo sucedendo nas Ilhas de Taipa e Coloane, com 10 mil habitantes. Nesta década de vida tão agitada a nível mundial, Macau continua pacatamente a sua administração, que compreende o Concelho de Macau e o Comando Militar da Taipa e Coloane. E sede da mais antiga Diocese do Extremo-Oriente que tem jurisdição sobre as Missões de Heang-Shan, Shiu-Hing (na China), Malaca e Singapura (em territórios ingleses), Timor e naturalmente Macau e Ilhas, tudo constituindo o Padroado do Oriente.
O ensino é ministrado em numerosas escolas de instrução primária, no Seminário, na Escola Comercial e no Liceu central.
Os dois Tribunais encarregados da Justiça estão afectos à Relação de Goa. Hong-Kong e Shanghai têm importantes colónias de macaenses que buscam ali meio de vida (escasso para a classe média no pequeno território de Macau). O mundo do negócio encontra-se quase exclusivamente controlado por chineses e a sua actividade liga-se com a pesca e seus derivados, a construção naval, o fabrico de cimento, a preparação do ópio e manipulação do tabaco, o vinho chinês, os tradicionais panchões e pivetes, etc.. Macau anseia a conclusão das obras do novo porto, ainda em curso, na esperança de reaver parte do significativo comércio que se concentrara em Hong-Kong desde 1841. Começa em Macau a urbanização sistemática das colinas. O território, desenvolvido pelos indesmentíveis encantos de Macau, é beneficiado com a construção do Campo de Corridas de Cavalos, inaugurado em Março deste mesmo ano.
(Citação do livro Cronologia de Macau , de Beatriz Basto da Silva, que curiosamente não sita o jogo, nem a maçonaria, que nesse tempo congregava a "inteligência" local).

Este relatório era assinado pelo Governador, Tamagnini Barbosa, embora a sua autoria pudesse ser de Ferreira da Rocha. Rocha foi várias vezes secretário do Governo de Macau e deputado no Parlamento de Lisboa. Terei que investigar este assunto no Arquivo Histórico, cá do sítio. Entretanto se alguém tiver esclarecimentos a fazer sobre este ponto agradeço que os faça, será um contributo inestimável.


Entusiasta do Estado Novo, Tamagnini Barbosa, acabaria por ser banido por Salazar (seguramente o Estado Novo, de Barbosa, não era o mesmo do de Salazar).
Tamagnini Barbosa, que foi três vezes governador de Macau, morreu no Palácio da Praia Grande, onde residia.


A Lenda do fantasma do Governador
Ainda hoje se diz que de noite percorre o Palácio e o assombra com a sua presença fantasmagórica.
Ainda hoje os seguranças (pelo turno da modorra, ou seja aí pelas três, ou quatro horas da manhã) percorrem os corredores com algum receio sempre à espera de verem o venerável fantasma surgir ao virar do corredor.
Tamagnini Barbosa foi o último governador de Macau a residir no Palácio da Praia Grande. Depois disso a residência oficial dos governadores passou a ser o Palacete de Santa Sancha.

PS. Tamagnini Barbosa, Maçon e republicano, foi demitido do governo de Macau, por telegrama de Salazar. Porém, nunca o soube. O telegrama chegou horas depois de morrer no seu posto, no Palácio, frente à baía que hoje já não existe.

Curioso ainda é referir que Artur, entre os seus irmãos, ficou para a história como o menos conhecido. As menções que a ele se referem dizem-no apenas como governador de Macau e pouco mais.
Os irmãos constam da história portuguesa como nomes maiores; generais, ministros e chefes de governos republicanos.

(Quanto a mim falta quem escreva a sua biografia que vale a pena). Seus filhos podem fazê-lo se tiverem herdado a veia literária de sua mãe D. Ana, que deixou bibliografia publicada principalmente em verso.

Sunday, November 11, 2007

O homem que regulamentou o jogo em Macau


É conveniente recordar aqui, um dos governadores que mais tempo governou este Território.

Há uma rua com o seu nome; chama-se Rua do Guimarães (apenas!...).
Macau pouco o lembra, mas a história de Portugal ainda o significa.

Diz o dicionário:

Guimarães Júnior, Isidoro Francisco (1808-1883) Visconde da Praia Grande de Macau, desde 1862. Maçon. Oficial da marinha. Governador de Macau, de 1851 a 1863. Ministro de Portugal no Japão, Sião e China, em 1859. Ministro da Marinha e Ultramar, no governo da fusão, encabeçado por Joaquim António de Aguiar (o mata frades), desde 4 de Setembro de 1865, falecendo no exercício destas suas funções.
1865 Setembro
Isidoro Francisco Guimarães, visconde da Praia Grande de Macau, na pasta da guerra, por morte do conde de Torres Novas (será interino até 11 de Novembro de 1865 e efectivo até 22 de Novembro de 1865).

Mas, para além de tudo, Guimarães deve ser lembrado pelo facto de ter sido o homem que regulamentou o sector do jogo em Macau.
Vejamos:
- Isidoro, Francisco Guimarães, primeiro e único Visconde da Praia Grande de Macau, (19 de abril de 180817 de janeiro de 1883) foi um administrador colonial português. Entre 1851 e 1863 desempenhou o cargo de Governador de Macau. Foi durante o seu mandato como governador que o Jogo, hoje a actividade económica mais importante de Macau, foi legalizado.
Ora então! Se não fosse ele, hoje não haveria nem Venetian, nem Wyin, nem nada.
Não seria altura de dar o seu nome pelo menos a uma avenida?
Por exemplo, no COTAI, onde o IACM insiste em repetir nomes tolos como "amizade" e coisas assim?
Em minha opinião o Governador, Guimarães, merece no mínimo uma grande avenida. Então não é que regulamentou ( como diz o dicionário) a actividade mais importante de Macau nos dias de hoje.
Honrar-lhe o nome é um dever do IACM

Ho Yin


Ho Yin nasceu em Panyu, na Região do Delta do Rio das Pérolas, cerca de cem quilómetros a norte de Macau, em 1908, quando a China ainda estava governada pela família imperial da Dinastia Qing. Era um homem de negócios e um líder carismático, patriótico e respeitado da comunidade chinesa de Macau. Era também um importante intermediário diplomático entre a República Popular da China (RPC) e o Estado Novo Português anti-comunista (1933-1974). Foi um membro do Congresso Nacional Popular da República Popular da China. Morreu em 1983 na Cidade de Macau.
Ho Yin tinha cinco
esposas, seis filhos e sete filhas. Edmund Ho Hau-wah, o actual Chefe do Executivo de Macau, é o seu quinto filho.

Na China e em Hong-Kong
O seu pai,
Ho Cheng-kai, é um pequeno comerciante, possuindo uma pequena loja em Panyu. Quando Ho Yin tinha apenas 13 anos, tornou-se um aprendiz numa loja em Cantão, aprendendo a administrá-la. Aos 16 anos, deslocou-se para Shunde, um centro tradicional na Região do Delta do Rio das Pérolas, onde tornou-se um administrador de uma loja. Em 1930, ele decidiu investir na área das transacções monetárias, abrindo uma loja em Cantão onde se efectuam estas transacções, consideradas, naquela época, como uma actividade muito lucrativa. Mas, em 1938, com a invasão dos japoneses a Cantão, ele foi forçado a deslocar-se para Hong-Kong, onde ele continuou com o seu negócio lucrativo nesta colónia britânica.

Em Macau
Porém, em
1941, os japoneses finalmente invadiram Hong-Kong e, consequentemente, Ho Yin deslocou-se e estabeleceu-se finalmente em Macau. Foi nesta pequena colónia portuguesa que ele fundou o Banco Tai Fung, que inicialmente efectuava somente transacções monetárias. Pouco tempo após a sua chegada a Macau, o Governo Português de Macau e muitos banqueiros desta Cidade rapidamente reconheceram a sua enorme capacidade e talento na área de negócios e também nos assuntos comunitários. O Governo deu o monopólio do lucrativo comércio de ouro desta colónia à sua companhia.
Foi durante a
Segunda Guerra Mundial que Ho Yin tornou-se rico e famoso devido ao seu negócio na área das transacções monetárias e no comércio de ouro, nomeadamente na sua grande contribuição na estabilização do valor da moeda local, a pataca, e nos seus conselhos financeiros ao Governo de Macau e ao Banco Nacional Ultramarino, instituição responsável pela emissão da pataca. Tinha grande prestígio em Macau, principalmente dentro da comunidade chinesa, conseguindo, em 1950, ocupar o cargo de Presidente da Associação Comercial Chinesa de Macau, cargo que ele exerceu até à sua morte, em 1983. Foi também Presidente de mais de 200 companhias e organizações comunitárias. Muitas organizações comunitárias que ele fundou ou possuia produziam prejuízos para ele, mas ele insistiu em continuá-los porque eles tinham a finalidade de servir a comunidade local. Os seus negócios abrangem inclusivamente a área de transportes públicos, possuindo a companhia de autocarros "Transmac" (Companhia dos Transportes Urbanos de Macau). Ele era famoso pela sua capacidade e talento de resolver conflitos políticos e também conflitos, algumas vezes armados, entre as várias Tríades da Cidade que eram rivais entre si.
Embora Ho Yin seja geralmente popular e respeitado pelas várias forças políticas divergentes da comunidade chinesa de Macau (a direita pró-capitalista e a esquerda pró-comunista), foi alvo de um ataque de granada em
Maio de 1966, mas escapou ileso. Aqueles que o atacaram nunca foram apanhados e julgados, mas muitos especulam que eles eram membros do Kuomintang que estavam insatisfeitos pela relação íntima que Ho possuia com o Partido Comunista Chinês.

A sua carreira política
Ele começou a sua carreira política nos inícios da década de 50, depois do estabelecimento da
República Popular da China (RPC), e tornou-se numa das figuras políticas mais importantes e influentes de Macau. Como o Estado Novo anti-comunista e autoritáro de Salazar reconhecia somente a Formosa governada pelo General nacionalista Chiang Kai-shek, e não a RPC, como a única "China" oficialmente existente, Portugal não tinha relações diplomáticas com a RPC. Por isso, Ho Yin tornou-se num importante intermediário diplomático entre Portugal e a RPC. Ele mantia um contacto intenso com o Governo Central Chinês e fazia inúmeras visitas a Pequim. Na capital da RPC, conversava e trocava opiniões muitas vezes acerca de assuntos sobre Macau com Mao Tse-tung, Zhou Enlai e com muitos oficiais importantes do Partido Comunista Chinês. Foi inclusivamente membro do Congresso Nacional Popular da RPC.
Ele participou e contribuiu muito para a resolução de vários desentendimentos entre Portugal e a RPC, nomeadamente a questão da marcação da fronteira entre Macau e China (o que resultou um pequeno
conflito militar sino-português em 1952 junto das Portas do Cerco) e o Motim 1-2-3 organizado por residentes chineses pró-comunistas de Macau em 1966 (este incidente quase levou ao colapso da administração portuguesa desta Cidade). A sua participação e empenho na resolução da crise originada pelo Motim foi fulcral porque, naquela altura, ele era um dos únicos que conseguia contactar directamente e simultaneamente com o Governo Português de Macau (visto que o Ho Yin era o representante chinês no Conselho Legislativo), com os oficiais chineses de Cantão e de Pequim e com a população chinesa enfurecida da Cidade. Por isso, internacionalmente, ele passou a ser considerado como o "capitalista vermelho" de Macau. Ele conseguia acalmar, convencer e agradar simultaneamente os comunistas de Pequim e os autoritários anti-comunistas de Lisboa. Esta tarefa difícil que Ho Yin realizava era fundamental para a sobrevivência da administração portuguesa, e até mesmo da de Macau, durante a Guerra Fria, a Revolução Cultural e, posteriormente, do rápido e repentino processo de descolonização de Portugal levado a cabo em 1975, após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Macau, após constantes negociações entre Portugal e a República Popular da China, foi a única colónia portuguesa que não experimentou este abrupto processo de descolonização, sendo reunificado à República Popular da China no dia 8 de Dezembro de 1999, após 24 anos do processo.
O Governo Português de Macau homenageou Ho Yin, atribuindo-lhe o título honorífico de "
Comendador". Ho Yin foi deputado na Assembleia Legislativa de Macau nomeado pelo Governador na primeira (1976-1980) e segunda (1980-1984) legislaturas.

Morte
Ho Yin morreu de cancro no dia 6 de Dezembro de
1983, com 75 anos de idade, na Cidade de Macau. Não conseguiu completar a sua segunda legislatura na Assembleia Legislativa.
Macau deu grandes homenagens a este homem de grande importância e contributo para a Cidade, possuindo pelo menos uma avenida e um parque que se chamam "Comendador Ho Yin". O nome deste falecido líder foi até atribuído a um
asteróide ("5045 Hoyin (1978 UL2)").

O almirante sem barco

As caricaturas publicadas anteriormente são de João Guedes, jornalista da TDM, Não estou a piratiar (Estou apenas a republicar seguindo as regras da OMC, ou WTO).
Aqui fica a primeira caricatura do então governador, Almeida e Costa, publicada pelo dito João Guedes, no que creio ter sido o primeiro número da Tribuna de Macau, que concluíu 25 anos de pubicação há poucos dias.

O blogue estava a tomar um rumo demasiado pessoal.

Por isso aqui dou por terminado o ciclo do meu cão.

Vou voltar à História com biografias e assim.

E assim, abaixo deixei duas caricaturas interessantes de dois personagens “imerescíveis” como dizia Mário Henrique Leiria, nos seus “Contos do Gin”. E “Contos do Gin” foram esses tempos de 1985/86 e seguintes em Macau com Pinto Machado e "entourage". Pena que o “imerescível” escritor nunca tenha conhecido Macau, senão quantos contos não teria acrescentado aos dois volumes publicados. Fica a capa dos novos. Vale a pena lêr para revêr a sorrir o passado

O Governador de Macau que nunca existiu

Quem mandava nele era o secretário que tinha sido seu estudante.
Era este: chamava-se De La Roux (De La rue?) Acho que se chamava Alvim, mas perfere o nome francês. Agora voltou a ser importante no PSD de Luís Filipe Menezs. Como o mundo voltas e revoltas...
Chamava-se Pinto Machado e governou Macau menos de um ano. Médico e professor (excelente em ambas as áreas) foi talvez um dos poucos governadores que nomeado para o efeito foi nomeado por engano. Demitiu-se a menos de um ano de governação.





Friday, November 9, 2007

E agora uma coisa totalmente inesperada


Tenho-me perdido em arroubos de poesia a propósito do meu cão e pouco noutras coisas.

Mas agora aqui vos deixo um "placard" que me despertou a atenção e nada tem a vêr com o meu cão. Fotografei-o há uns meses. O que se come lá dentro não é nada de especial, mas o atractivo do anúncio deixa água na boca. É interessante...

O meu cão
é um soldado
Aparentemente desarmado
Mas sempre em prontidão
Seria o melhor soldado de qualquer pelotão.

E manda com arrojamento
Na sua
Quando pede para ir à rua
Primeiro em lamento
Mas depois quando sente que não chama a atenção
Ladra então com o vozeirão
De um sargento.

O meu cão
É um militar
Um militar verdadeiro
Quando se põe a cheirar o carreiro
Cauda no ar
Nariz no chão

E vai assim e pressente
Há perigo de ocasião, perigo eminente,
Há inimigo à vista? Não.

Pois então, nesta situação
Promovo o meu cão a tenente

O meu cão é soldado raso
E como é óbvio não tem patente
Mas é o caso
Que em ocasiões tais
Manda na gente
Como os oficiais

Soldado de faro fininho
No seu reduto de casa
Como numa trincheira de batalha
Nunca falha
A avisar
Quando chega o vizinho
E é então que se extravasa
A ladrar

O meu cão
Soldado combatente
Sempre presente
Em qualquer ocasião.
Principalmente em casa sua trincheira
A recurvar o dorso e a cauda a cirandar

Mesmo numa boa brincadeira
O meu cão é um bom militar


E é então
Que não tenho alternativa
Senão
A de o promover capitão.

Wednesday, November 7, 2007

O quintal da imaginação do meu cão

Para que é preciso saber de filosofia
Quando o meu cão me ensina a viver
Ele abana a cauda, ladra, rodopia
E nessas volturas mostra tudo o que há a saber.

O meu cão é um lindo animal
Que ladra e rosna e dorme e acorda
E que sem fazer parte de qualquer horda
É como se fosse o Gengis Khan do meu quintal.

Eu não tenho quintal e ele não tem horda
Já que desde que nasceu
Nunca dolosamente ninguém o prendeu
A trela ou corda.

O meu cão é sempre livre, como Deus diz livre dever ser
Para o bem e para o mal
Qualquer animal
Desde o acto de nascer.

Nunca o ensinei a fazer nada de especial
Nem a sentar, deitar,
Ou ir buscar o jornal

Mas mesmo assim o cão sai-se menos mal
Porque ladra, dorme, rosna
E toma conta do quintal
O tal quintal que só existe então
Apenas e só num xiste da minha imaginação.

É lindo o meu cão dourado
Que às vezes dependurado
Da varanda quando a casa chego
Sarabanda e ciranda
À espera ansioso que lhe faça festas no seu aconchego.

O meu cão é o lindo cão
Quer-me despertar a atenção
E quando não
Rouba-me as chinelas
E então é vê-las
Nos seus dentes de leão
A correr por toda a casa até que eu lhe deite a mão

O meu cão!

Que molosso, que emoção
Dá-me a pata e eu dou-lhe mão
Lambe-me quando lhe dá
Quando entende que é bonito!
E então, nova emoção
Ele fita-me. E eu o fito
E perdemo-nos então os dois em mútua gratidão.
Esses segundos de amor são um universo infinito.

O meu cão é bonito!

Mas às vezes ele sabe que quando o dia não corre bem, quando me irrito
É melhor sumir-se no obscuro.
Ele percebe nesses momentos que é melhor recolher ao canto mais escuro
.
O insurreto
Retira-se então discreto
Vira o focinho a contra gosto
Como se presciente pressentisse que estou mal disposto.

Como se presciente me pressentisse mergulhado num desgosto
E é então que põe a pata sobre o focinho
Na mais recôndita esquina onde se embala
E fica ali a fingir dormitar sozinho
E é então que o universo todo se concentra no interior da minha sala.

Nocturna escuridão
A vida e a morte é o universo no seu olhar
Nesta ocasião
Uma órbita vazia
A cirandar
Imensidão
Que se transforma e cria
E é então
No seu olhar
Que acredito no amor e em Deus
Em Júpiter e em Zeus
E fico-me a pensar como é possível
Que este cão
Me faça a mim ateu acreditar em tal imensidão

Depois no quintal imaginado
Deste pequeno mundo
As minhas emoções e o meu cão
Adormecem todas juntas em pezinhos de lã
Lá para as três da manhã
Em sono profundo.

Basta de cogitar
Eu e o meu cão vamo-nos deitar
No canto mais aconhegado
E é assim que adormeço com ele ao meu lado


Sunday, November 4, 2007

Outra vez (e mais uma vez) o meu cão desenhado a carvão.

Preguiça

A Pérola deste rio é feita de água barrenta
Vai de foz em foras
Sossegada
Às mesmas horas
Vazada
A desaguar ao longe na bruma cinzenta
Que impede o horizonte
E me interdita a vista
A menos de metade do que poderia vislumbrar
Defronte
Noutro horizonte
Céus azuis da Europa
A imaginar
Onde se avista a milhas de distância
Tudo quanto há para avistar.

Mas neste ar
O que é que há para vislumbrar?
Senão a humidade de Maio, chuva e calor.
E a copa
De uma palmeira
Árvore fagueira
Que pouca protecção produz
E nada abriga
Mas que é a única sombra que induz
Nesta aridez
De Sol e luz
Alguma sombra amiga.
É então
Que mais uma vez
Eu me sento com o meu cão
Neste banco de jardim de ocasião
A ver o horizonte
Nublado
Urgentemente parado
Que se nos abre defronte.
Sento-me, distendo-me. Que preguiça...
O meu cão solta também um soluço cansado
E resfolega com a língua de fora e o focinho de lado
Penso para mim: Daqui não saio
(estou farto de ir à liça)
Fico-me aqui até ver o fim de Maio
Escorrer subtil o calor e a humidade
Desta ansiedade
Que há mais de vinte anos levo a rir
Embora bem saiba que tudo se vai repetir
Repleto de calor e humidade
Quente e plano
No próximo ano
Tenho para mim
Que há-de voltar a ser assim.
E é então
Que o meu cão
Me desperta da ansiedade
Num latido sonoro
Que degola o sonho e me acorda à realidade.
Para o meu cão
Não há cansaço nem mágoa
Mas apenas o cheiro da água
E um olfacto de lodo
Neste todo
Lento
Junto do rio barrento
Onde o levo a passear
É então (aqui ressalvo a repetição)
Que aproveito para me espreguiçar
Durante um bocado
Sem ninguém à vista que me possa chamar mal-educado.
Que bela ocasião
Para mim e para o meu cão
De estarmos ambos sozinhos
Sob os azuis anis vizinhos
Rodeados de um horizonte que entardece
Que bom é fazermos os dois o que nos apetece.

João Araújo . 26/06/03

O meu cão a dormir

Uma nuvem e o meu cão

Reina sobre o céu azul da minha alegria
Uma nuvem cinzenta e ciumenta
Uma forma singular que me atormenta
Que me disputa e predispõe a pensar
No azul deste dia solarengo a circular
Entre a madrugada e o ocaso
E é o caso
Que da minha casa vejo da varanda
O horizonte largo, de uma cidade inteira a cirandar.
Fico-me estático a contemplar
Isso tudo, apesar.
Do horizonte vasto
Toldado apenas por uma nuvem cinzenta e ciumenta
Por uma forma singular que me atormenta
Que me disputa e predispõe a pensar.
Estou triste, estou contente
Estou aqui, ou ausente?
Não sei! Mas subitamente
O meu cão
Que aparentemente dormia
E eu vejo de través
Junto aos meus pés
Sai da inanição
Salta da modorra e a ladrar faz-se presente
Como se fora marinheiro urgente
A acordar de repente
Para amarrar gurupés
Na eminência de tufão
Claro que não há tufão à vista.
O céu está vibrante e a visibilidade é nil
Espraia-se-me a vista num céu azul de anil.
Mas como dizia, o cão
Salta da modorra sobre a minha cogitação
Na varanda
Onde me julgava sozinho a observar
A cidade inteira que ciranda
Num horizonte vasto, apenas toldado
Por uma pequena nuvem cinzenta e ciumenta
Por uma forma singular que me atormenta.
Mas aqui mesmo a meu lado
Que maravilha excelente
Que instintivo animal
Ao ver-me estático assim
Salta subitamente sobre mim
Como se fora uma fera colossal
Pronta a filar-me a garganta
Mas afinal
O felino salto acaba num sem jeito
De latidos sonoros e patas dianteiras
Arremessadas sobre o meu peito
Que me fazem perder o equilíbrio e a concentração
Distraindo-me da atenção
Que detenho sobre a cidade
Num horizonte toldado
Por uma nuvem cinzenta e ciumenta
Por uma forma singular que me atormenta.
Mas o meu cão não se importa
Com o que eu possa pensar
Ladra e lambe durante um bocado.
Eu retribuo fazendo-lhe festas no costado
Enquanto ele abana a cauda (sinal de brincadeira).
E assim ficamos desta maneira
Por um minuto
Eu a fazer-lhe festas no pelo hirsuto
Ele a lamber-me contente.
Depois, subitamente
Deixa-se cair p’ro o chão
De forma displicente
Esgueira as patas pousa o focinho
Enrola-se aos meus pés como se recolhesse a um ninho
Esboça um bocejo, aspira a tarde fria
Esquiva-se encolhe-se
E como se fosse omnisciente
Esvai-se novamente
Não sem antes projectar fugaz e ausente
As sua íris castanhas
Na amplitude do universo e na fronteira de montanhas
Que demarcam lá longe o horizonte
E é então que regressa sabiamente
À modorra interrompida.
É nessa altura que dou conta de mim
Nesse preciso momento quando subitamente
Um cheiro de jasmim
(planta que tenho na varanda)
Me retira da anterior contemplação
Dessa nuvem cinzenta e ciumenta
Forma singular que atormenta
O azul da minha alegria sobre a cidade
Que ciranda se desmanda e sarabanda em ansiedade
É então nesse preciso segundo
Que reparo que o meu cão
Pouco se importa com o mundo,
Ou com a minha cogitação
E ressona aos meus pés em sono profundo

O meu cão desenhado a carvão

Reentardercer etéreo

A minha ponte é um casal unido pelo vento
Do lado esquerdo da margem
Abre-se o meu pensamento,
Do outro, como no Verão
Abre-se uma vagem
De ervilha verde, de onde se soltam esféricas sementes.
Que ilusão...
Um advento de mistérios e reentardeceres etéreos.
Há no tempo paragens?
Acho que não!
Mas é então, que nessa situação
Os meus sentimentos se casam
Entre os dois lados da ponte
Deste lado estou eu e o meu cão
Um animal real arfante
Deitado ao meu lado
Fiel infante de um cavaleiro abalado
Defronte as nuvens estilhaçam o horizonte em difusão.
E eu sentado, cansado num banco olhando a margem enfadado,
Tentando penetrar a bruma capa
Que me impede de ver nitidamente os contornos escondidos da Ilha da Lapa
E é então que eu e o meu cão cansado
Afinamos, os dois pelo mesmo diapasão
Ele deita-se aborrecido no chão.
O entardecer não lhe trás novos cheiros
Eu, por mim farto-me também das mesmas paisagens.
Das aves, águas calmas e ulmeiros entre margens
(Não sei bem porque me lembrei das ervilhas e das vagens, ou de ulmeiros?)
Mas eu e o meu cão somos uma espécie de casal
Que em diapasões diferentes
Observamos ausentes
Este universo porventura irreal,
Mas que para um e para outro corre menos mal.
Corre o tempo, nesta margem.
Mas... as horas do relógio não conhecem paragem.
Cão! é tempo de regressar
Chegou a maré vaza,
É tempo de nós dois voltarmos para casa
O Sol, já se pôs e são horas de jantar.

Thursday, November 1, 2007

Outra vez o meu cão

O meu cão é o tinteiro
Da minha inspiração
Ele arfa, ele é porreiro
Pudera é o meu cão.

E ladra e ladra

De dia, de noite e de madruga
Tanto lhe faz

Ele ladra ele fareja
Não vejo cão que se veja
Ser um tão nobre animal.
(Fareja bem, mas houve mal).

Será?
É o que adiante se verá.

O meu cão está sempre alerta
E às vezes desconcerta
Quando sente o meu odor.

Antes de entrar no elevador
Quase a abrir, da porta a casa,
Sente que estou a chegar

E ladra e ladra

E se extravasa
Quando chego à porta de casa
Do quinto andar

De dia, de noite, ou de madruga
Tanto lhe faz.

E ladra e ladra...

Quanto a odores é presciente
Mal sente, ou pressente,
Começa a ladrar
Nós humanos
Oramos assim ao conversar
Quando ao telefone em alta voz
Falamos.
Os cães são como nós.
Mas a muitos de nós
Falta na essência
A presciência
E ao dialogar
Tantas vezes são

As que, também em voz alta, como o cão
falamos simplesmente a sós.

Mas o meu cão, quando pressente, “záz”
Ladra e ladra
De dia, de noite, ou de madruga
Tanto lhe faz

O meu cão é como um stradivárius
É um desses animais extraordinários
Que numa pauta inteira
É capaz de distinguir um lá de um si bemol
Numa colcheia, ou numa clave de sol
Tudo numa brincadeira.
De cauda contente a abanar
Porreira

Tem o dom de me encantar

Tudo isto sem saber de música (afinal sem saber de nada)
Tal como não sabe se é manhã, ou tarde, ou madrugada
Mas, qual tiranicida
Sabe que chego às horas certas para lhe dar a comida
Para lhe dar de jantar

E quando não
Ladra e ladra até lhe dar a ração

O meu cão é um verso
É uma noite estrelada
Que singelamente contém nos ouvidos e no faro todo o universo

Da forma, do fundo e às vezes também do nada

E ladra e ladra

De dia, de noite, ou de madruga
Tanto lhe faz

O meu cão é o tinteiro
Da minha inspiração
Ele arfa ele é porreiro
Pudera! É o meu cão

Que sorte ser dono deste cão.
Animal, irracional
E deste verso inspiração

Olho-o nos olhos castanhos
E vejo-o a conduzir rebanhos
D’um rebanho universal

Íris fulgente
Olhar resplandecente
E vida e alegria
Todo o dia

E ladra e ladra

De dia, de noite, e de madruga
Tanto lhe faz.
De cambulhada
Ladra e ladra e ladra e outra vez.
Ladra quando lhe apraz
Como se fosse um cão maltês.

Este molosso de que pode ser capaz?
Não sei, mas ele sabe muito bem o que faz.
Tem siso.
É cão de guarda, ou de aviso?
Não sei.
Mas ele sabe (mais do que eu), o que é preciso
E preciso é avisar
No quotidiano do lar
Assinalar
A altura em que é necessário ladrar.
Umas vezes porque sim
Outras porque não.
Tudo depende da ocasião
Ele tem tanto instinto
Quanto eu não.

O meu cão é o tinteiro
Da minha inspiração
Ele arfa, ele ladra ele é porreiro
Pudera é o meu cão.

Tuesday, October 30, 2007

A Escada de Jacob



No Elevador de Jacó
A subida da escada de Jacó não é uma ativida de mão única. Essa escalada é rica, é de interação vital para se completar a obra. Ela é o fluir de todos os recursos espirituais necessários para que os "mistérios das alturas" sejam desvendados em nossa insustentável fragilidade humana. Como relatado no sonho de Jacó, os anjos subiam e desciam uma escada para o contato com a morada de Deus. A incomunicabilidade humana parte do não-entendimento da ação, do que se está fazendo. Os anjos em "descensus" vêm do topo, os anjos em "ascensus" buscam as alturas. Eles sobem e descem numa acertada comunicação que se revela no pleno desenvolvimento da consciência humana. Hoje, retorno do topo. Estou em descida (descensus) e faço uma parada no quarto degrau, já que nos três primeiros estamos sempre visitando (a câmara de reflexão, a visão do prumo e a câmara fúnebre de Hiran). O Mestre Secreto vai ao encontro da consciência do homem. Nesse estágio do Rito Escocês Antigo e Aceito, no qual toda a decoração do templo de Jerusalém é relembrada, a Menorá (o candelabro de sete braços) tem lugar de destaque como luminária do templo - a lâmpada eterna. Junto à mesa com a Arca da Aliança, as Tábuas da Lei, o Vaso de Maná e a Vara de Arão, está a Menorá imponente, como a vela eterna, a "ner tamid" hebraica, que é mantida acesa mesmo quando a sinagoga está vazia ou fechada. Essa luz é modelada no candelabro do Templo e sempre mantém uma chama de seus sete braços milagrosamente acesa enquanto os demais estão sendo limpos, apesar de terem, todos, a mesma quantidade de óleo. A sinagoga é um Templo, e dentro dele a chama dessa lâmpada representa a idéia de que Deus está presente no universo. No mundo cristão, essa idéia é representada pela chama ardente que é mantida acesa atrás do altar, no Sacrário da igreja católica (lugar onde são guardadas as hóstias consagradas para o sacramento da Eucaristia). Em nossa câmara do 4º grau, os sete braços do candelabro estão todos acesos, simbolizando a luz espiritual, a semente da vida e da salvação. "Demos-lhe tantos braços quanto são os planetas", disse Flavius Josepho, referindo-se ao Sol, à Lua e aos planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
"A imitação terrestre da esfera celeste arquetípica", nas palavras de Filon. O próprio Clemente da Alexandria afirma que o candelabro de ouro com sete braços significa "os movimentos dos sete astros luminosos que realizam seus percursos no céu. (...) Relaciona-se com a cruz de Cristo não apenas por causa de sua forma, mas porque o candelabro relembra a cruz-fonte de luz". Ele evoca também os sete arcanjos superiores.Reza a lenda que o candelabro de ouro com sete braços cheios de óleo de oliva era mantido permanentemente aceso no Templo de Jerusalém. Ele simbolizava a sabedoria divina. A Menorá original, feita no tempo em que os israelitas perambulavam pelo deserto, foi fundida em ouro por Moisés e tomou forma por si mesma. Desde os tempos do Primeiro Templo, o candelabro tem sido um dos principais símbolos judaicos e foi, até pouco tempo, o emblema do Estado de Israel (antes de ser adotada a estrela de Davi).Uma leitura de Êxodo (25:31, 33, 37, 40) e de Zacarias (4:1, 14) é sempre útil para um entendimento teológico, místico e espiritual de sua construção.Vendo uma certa analogia entre a Arca da Aliança e o Candelabro, afirma Magister: "(...) por essa razão, a Arca há de ser iluminada pelo candelabro de sete luzes, que são ao mesmo tempo os sete Elohim ou Criadores (manifestados nos sete raios, nas sete Forças Planetárias e nos sete Anjos que se sentam diante do Trono de Deus), as sete virtudes, as sete Artes e os sete dons do Espírito Santo: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Juízo, Fortaleza, Ciência e Temor a Deus".Essas são as sete luzes filosóficas que devem iluminar e contemplar, no Mestre Secreto, a Fé, a Esperança e o Amor, cujo conhecimento prático foi vivenciado nos três primeiros degraus. Os sete fogos devem ser acesos e brilhar no Santuário de nossa Consciência.
Ir .·. Valfredo Melo e SouzaAcademia Maçônica de Letras do DF


No Elevador de Jacó

Saturday, October 27, 2007

Depois de ter publicado várias fotografias de S. Cosmado é altura de publicar um conto. E o conto é de meu irmão, que conseguiu sintetizar em literatura a história que, não consta da história do Mundo, mas consta de uma tradição idiossincrática de uma pequena aldeia (agora é vila. Viva a democracia e os novos tempos!). Camilo, Aquilino, Brandão e Sousa Costa (este esquecido, sabe-se lá porquê), escreveram contos que provavalmente não constam também dos tempos novos. Queiroz que era refinado demais não consta de certeza nestes novos tempos, tal como Oliveira Martins (velho, velho!...)
Aqui vai o conto de meu irmão sobre S. Cosmado, os seus tipos e a sua história. Uma verdadeira historia da Beira. O caso é particular. Quem se lembra do que aconteceu achará que o contador da história acresce um ponto, Será


CONTO DO VIGÁRIO COM ASSALTO


Cerca das quatro da madrugada o Senhor Magalhães foi estremunhado pelas fortes pancadas do batente em mão de ferro sustentando uma esfera que embate noutra incrustada na ampla e grossa porta de castanho do seu casarão.
Quem o chama alarmado é o Mamoto. Estão-lhe a assaltar a loja, e o povo deu conta e tem o ladrão cercado lá dentro. È preciso correr até Amarais para trazer a Guarda e caçar o ladrão.
O Senhor Magalhães está na posse da carta de condução do Mamoto, que não tendo dinheiro, fez questão de entregar o documento ao Senhor Magalhães como fiança na compra de fazenda fina para um fato, camisas, meias e lenços de seda, tudo da melhor qualidade e preço a condizer.
Sem carta, dizia o Mamoto, o Senhor Magalhães ficava assim certo que não iria ausentar-se para Espanha, onde permanecia longos períodos de tempos a tratar da vida, sem se saber qual. Contava pagar para a outra semana, e só depois partiria para a Espanha.
O Senhor Magalhães a contra gosto aceitou a carta. Sempre era uma garantia, de que o Mamoto talvez pagasse antes de se sumir para além fronteiras.
Na aflição do momento o Senhor Magalhães enfiou o robe do avesso, colocou os grossos óculos de aros de tartaruga, atabalhoadamente espalhou os papeis na secretária, agarrou na carta de condução e lançou-a da janela para as mão ávidas do Mamoto que correu de imediato rua abaixo.
O Ford de oito cilindros em dois minutos já roncava acelerado, iluminando a curva da Torre, e num ápice apagava-se com o Mamoto no silêncio e escuridão da noite. E não voltou mais.
O Senhor Magalhães correu contra o tempo e contra o reumatismo pela escada abaixo e pela rua fora, mas quebrou um instante por fôlego da idade, e foi o bastante para que a razão, qual grilo falante, acordasse nele uma breve suspeita.
Junto a casa comercial um punhado de homens montava sentinela às grossas portas trancadas por dentro, menos a central fechada por duas grossas fechaduras, que foram estruncadas. Os homens impacientes queriam entrar ma loja, mas o Senhor Magalhães procurou detê-los. Era consciente, e embora ansioso de prender o ladrão, queria aguarda pela autoridade prestes a chegar.
O tempo passava entretanto, e a guarda não vinha. O povo excitado era cada vez mais, uma multidão a perder o controle. E não foi mais possível suster o ímpeto com que os mais valentes se precipitaram pela porta adentro, que cedeu de repente, e fez com que o povo entrasse em roldão no negro da loja.
O Galo, de alcunha, sacou de uma pilha e lançou o foco para todos os cantos, o Senhor Magalhães fez brilhar o petromax, outros acenderam velas e a loja foi vasculhada até dentro dos armários de alçapão, do açúcar, do café em grão, do arroz, do feijão e em todos os mais cantos e armários.
Nada!!.
Mas o cofre estava aberto. O Senhor Magalhães fechou-o rapidamente sem ver as faltas. Depois se veria, agora havia muitas mãos e olhos dentro do balcão
Fazia-se dia. A guarda veio, mas chamada pelo telefone público sediado na própria loja também agência dos CTT.
No dia seguinte ou no que já era, os Correios não abriram, nem a mercearia, nem a loja de fazendas, pois tudo acumulava o estabelecimento. O Senhor Magalhães
fazia o balanço da mercadoria e do cofre, e pensava na burla do Ma moto, e na solicitude do Galo, portador de uma pilha, que caiu do céu no escuro da loja, quando o povo entrou de roldão, mas que nunca apontou para quem devia, e estava atrás da porta.
Na cidade de Salamanca uns dias depois, o Mamoto e o Galo, espalhavam dinheiro em botequins, bodegas, jogo e mulheres, sem agora pensar em “trabalhinhos” de risco calculado, e únicos, em que dão um jeito.

Após mais de um ano ter passado, o Senhor Magalhães vê entrar no
estabelecimento, pomposo, elegante de chapéu à espanhola, lenço garrido na lapela, e sorriso largo e cativante nos lábios, o seu velho conhecido.
E mais não conto que é outro conto…. do vigário.Contou um ponto. Mas se não se acrescentar um ponto uma história a história não existe.
Eis a estória: -

Estátua de Francisco Gomes Teixeira


Gomes Teixeira (1851-1933)
Francisco Gomes Teixeira, matemático, nasceu a 28 de Janeiro de 1851 na aldeia de S. Cosmado, freguesia de Armamar, no distrito de Viseu.
Fez os estudos elementares na sua terra natal, e depois foi para o Colégio do Padre Roseira, em Lamego. Matriculou-se na Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra em Outubro de 1869. Ainda durante o curso Gomes Teixeira escreveu o seu primeiro trabalho, que foi publicado na imprensa da Universidade, em 1871. Concluiu o curso em 1874, com a classificação máxima, de Muito Bom por Unanimidade, com 20 valores. Em 1875 fez exame de licenciado com apresentação de dissertação e logo de seguida o doutoramento que obteve também com a classificação máxima.

Em 1876 tornou-se sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e lente substituto da Faculdade de Matemática. Em 1878 foi nomeado terceiro astrónomo do Observatório Astronómico de Lisboa, mas apenas ocupou esse cargo durante cerca de quatro meses, voltando à Universidade de Coimbra.

Em 1879 foi eleito deputado pelo Partido Regenerador, tendo participado em sessões do Parlamento nesse ano e ainda em 1883 e 1884. Em Novembro de 1879 foi encarregado da cadeira de análise matemática, passando a catedrático em Fevereiro de 1880. Em 1884 Gomes Teixeira pediu transferência para a Academia Politécnica do Porto, onde dirigiu a cadeira de Cálculo diferencial e integral. Veio a ser pouco tempo depois director desta Academia, cargo que desempenhou até 1911, quando foi nomeado reitor da recém formada Universidade de Porto.

Relacionou-se com alguns dos mais destacados matemáticos de renome mundial da sua época, e publicou trabalhos em periódicos científicos de vários países. Deslocou-se várias vezes a outros países onde contactava com outros matemáticos e participava em congressos. Foi membro de várias sociedades científicas e academias de ciências, nacionais e estrangeiras.
Faleceu no Porto a 8 de Fevereiro de 1933.

Actividade CientíficaAinda estudante elaborou um trabalho intitulado Desenvolvimento das funções em fracção contínua, onde apresenta fórmulas para desenvolver as funções em fracções contínuas, que depois transforma em fracções ordinárias, e aplica as fracções contínuas ao cálculo integral e à determinação das raízes de equações, obtendo desta forma resultados mais convergentes do que pelos métodos de Newton (1643-1727) e Lagrange (1736-1813). Este trabalho chamou a atenção sobre as suas capacidades, não só na Universidade de Coimbra, como também fora dela, como é o caso de Daniel da Silva, que a partir desta publicação apoiou e incentivou os trabalhos de investigação de Gomes Teixeira.

Em 1872 Daniel da Silva apresentou na Academia das Ciências o trabalho de Gomes Teixeira Aplicação das fracções contínuas à determinação das raízes das equações, onde fazia a aplicação de fracções à determinação das raízes das equações. A dissertação com que fez exame de licenciatura intitulava-se Integração das equações às derivadas parciais de segunda ordem. Nesta dissertação antecipou resultados que Andrew Forsyth (1858-1942) só mais tarde veio a conseguir obter, tendo também sido destacada por Edouard Gousat (1858-1936), o grande tratadista matemático da época. Para ocupar o lugar de lente substituto na Faculdade de Matemática elaborou a dissertação Sobre o emprego dos eixos coordenados oblíquos na mecânica analítica.

Fundou, em 1877, o Jornal de sciencias matemáticas e astronómicas, que foi publicado durante 28 anos, até ser integrado nos Anais Scientificos da Academia Politécnica do Porto. Este periódico científico desempenhou um papel muito importante na divulgação dos progressos das ciências matemáticas e astronómicas, e contribuiu igualmente para divulgar o trabalhos dos investigadores portugueses.

Em 1887, já na Academia Politécnica do Porto, publicou o Curso de análise infinitesimal, Cálculo Diferencial (um volume) onde actualizou o ensino da matemática em Portugal. Em 1889 publicou o primeiro volume do Curso de Análise infinitesimal, Cálculo integral, e o segundo volume em 1892. Nesta obra faz uma síntese dos progressos realizados pela análise e introduz um novo nível de rigor na apresentação da matemática.

Em 1895 levou o trabalho Sobre o desenvolvimento das funções em série ao concurso aberto, em 1893, pela Academia Real das Ciências de Madrid. A Academia concedeu-lhe prémio, embora fora do concurso, por ter apresentado o texto em português. Em 1897 concorreu de novo ao prémio da Academia das Ciências de Madrid com o Tratado de las curvas especiales notables, tanto planas como alabeadas (Tratado das curvas especiais notáveis, tanto planas como torsas, tendo ganho o prémio ex-aequo com Gino Loria (1862-1954). É considerada uma obra clássica de grande qualidade científica e histórica com impacto internacional, tendo sido reeditada em 1971, em Nova York, e em 1995 em Paris.

Continuou a produzir e a publicar regularmente textos científicos, em revistas científicas nacionais e estrangeiras. Após uma primeira fase dedicada à Análise, passou a prestar cada vez maior atenção à Geometria. Nos últimos anos dos seus estudos dedicou-se à História da Matemática em Portugal, tendo elaborado uma obra que constitui uma referência para os estudiosos das ciências em Portugal, a História das Matemáticas em Portugal.

PublicaçõesEm virtude da vasta lista de textos publicados, que quase atinge as três centenas , apresentam-se apenas as referências para alguns dos trabalhos que marcaram o início da carreira científica de Gomes Teixeira e as Obras de Matemática, que reúnem em vários volumes muitos dos textos publicados anteriormente. Para uma listagem extensa dos textos publicados devem os interessados consultar a obra de Henrique Vilhena, O Professor Doutor Francisco Gomes Teixeira.

Desenvolvimento das funções em fracções contínuas. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1871.
“Aplicação das fracções contínuas à determinação das raízes das equações”, Jornal de Ciências matemáticas, físicas e naturais., Lisboa, IV, 1872-73.
Integração das equações à derivadas parciais de 2ª ordem, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1875.
Jornal de Ciências matemáticas e astronómicas, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1877. Jornal fundado por Gomes Teixeira, publicado até 1905, dedicado inicialmente às Matemáticas superiores e às Matemáticas elementares, mas que a partir de certa a altura se dedicou exclusivamente às Matemáticas superiores.
Anais Científicos da Academia Politécnica do Porto, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1905-1906. Substitui, na parte referente às matemáticas, o Jornal de Ciências matemáticas e astronómicas.
Obras sobre Matemática, Coimbra, Imprensa da Universidade, vol. I, 1904; vol. II, 1906; vol. III, 1906; vol. IV, 1908; vol. V, 1909; vol. VI, 1912; vol. VII, 1915.
Panegíricos e conferências, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1925.
História das matemáticas em Portugal, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1934.

Fernando Reis